Por: Profª.Kesia Diego Quintaes
Há anos a ciência se dedica a aprofundar o conhecimento sobre o metabolismo dos lipídios no organismo, bem como a composição das variedades de gorduras proveniente de grãos e frutos, além daquelas originadas de animais. Dietas ricas em lipídios de diversas origens (peixe, oliva, girassol, milho, soja, canola etc.) têm sido bastante estudadas. Os resultados das pesquisas apontam para uma influência positiva de alguns tipos de gorduras sob as taxas das lipoproteínas sangüíneas, resultando em proteção do organismo a diversas doenças.
Os óleos de canola e oliva, ricos em ácido graxo monoinsaturado (especialmente o ácido oleico) são capazes de prevenir e auxiliar no tratamento de doenças crônicas por diminuírem as concentrações séricas de triacilgliceróis (TAG), colesterol total e lipoproteínas de baixa densidade (LDL), além de possuir ação anticoagulante.
Fruto originado do continente americano, o abacate é notadamente rico em gordura, sendo fonte de ácido oleico e de calorias. Até pouco tempo atrás, seu consumo era vetado para portadores de obesidade, hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias, doenças cardiovasculares e outras patologias que estão associadas ao acúmulo de gordura no organismo, devido à inter-relação entre a alimentação e a origem destas doenças.
O abacate pode ser encontrado na América Latina e em outras regiões subtropicais e tropicais do mundo, sendo que o Brasil ocupa hoje o quarto lugar como produtor deste fruto, antecedido apenas pelo México, Estados Unidos e República Dominicana.
Aproximadamente 70% do peso do abacate se refere à polpa do fruto.
Fica evidente que o abacate é fonte de muitos nutrientes, destacando-se as fibras e os lipídeos, além de contribuir com calorias. Mesmo sem poder ser considerado como fonte protéica, o abacate contém quantidades muito superiores às demais frutas neste quesito. Na composição lipídica, a quantidade de ácido oleico se destaca no abacate. Esteróis, álcoois, tocoferóis e carotenos também se fazem presentes. Cabe enfatizar que tanto a variedade como o clima de cultivo podem interferir no teor dos nutrientes do fruto.
Dada à relevância do consumo de abacate em dietas de determinados países, incluindo o Brasil, estudos foram feitos, especialmente no México, relatando o papel protetor que os componentes do abacate possuem, tanto na prevenção como no tratamento de cardiopatias.
“Em 1992 foi publicada a primeira evidência científica sobre a eficácia do abacate como fonte de ácidos graxos monoinsaturados em pessoas saudáveis, reduzindo o colesterol total, o colesterol de baixa densidade (LDL) e os triacilgliceróis (TAG)”.”Posteriormente, em 1997, foi constatado em pacientes com hipercolesterolemia que, além de o consumo do fruto induzir redução nas taxas de colesterol total, LDL e TAG, ele favorece o aumento desejável nos níveis do colesterol de alta densidade (HDL)”.
Os resultados do consumo de dietas compostas por abacate aparecem logo. Após o período de uma semana já ocorrem alterações sensíveis nos indicadores lipídicos do sangue. Além disso, já foi identificado que o consumo do abacate influencia também na glicemia.
Após quatro semanas consumindo dieta contendo abacate, mulheres diabéticas insulino-dependentes, compensadas e sem complicações graves decorrentes da patologia, tiveram redução tanto no colesterol sérico total como na glicemia.
Dessa forma:
“O consumo de abacate auxilia no tratamento de doenças crônicas, especialmente nas cardiopatias, diabetes e dislipidemias. Sua composição é nutricionalmente interessante, dada às quantidades significativas de ácido oleico, vitamina C, fibras, esteróis e mesmo calorias. Estudos comprovando os benefícios do consumo do fruto a longo prazo ainda são requeridos no sentido de reforçar seu papel terapêutico aq ui descrito”.
Cabe, finalmente, destacar que a introdução regular de abacate na alimentação deve ser feita sob acompanhamento nutricional, dada a elevada densidade calórica do fruto. Caso contrário, indesejáveis quilos podem surgir e, de certa forma dependendo do caso, comprometer a saúde.
Fonte: Jornal da Musculação e Fitness